sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Complexo do Alemão ganha primeiro cinema


O prefeito do Rio Eduardo Paes, a menina Paloma e o secretário de Segurança do Rio, José Eduardo Beltrame, durante inauguração do Cinema 3D

Os moradores da comunidade de Nova Brasília, no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, comemoram nesta sexta-feira a inauguração do primeiro cinema a funcionar dentro da favela. A sala erguida pela prefeitura conta com um projetor 3D e seguirá a programação do circuito comercial sob responsabilidade da Riofilme, empresa vinculada à Secretaria Municipal de Cultura. As obras foram iniciadas há 12 meses e o investimento custou R$ 3 milhões.

Morador do Alemão, o estudante Bruno da Rocha, 12 anos, entusiasmou-se por não precisar mais pegar várias conduções para assistir a um filme no cinema. “No último filme que vi, tive que andar de ônibus, kombi, um monte de coisa. Foi longe”, disse. Como recompensa pelo bom rendimento escolar este ano, ele foi um dos 60 alunos da rede pública municipal do complexo de favelas selecionados para assistir à primeira sessão do Cinecarioca Nova Brasília.

Todos os 12 funcionários do cinema são moradores da comunidade, entre eles o gerente, Wellington Cardoso, 28 anos, que participou da seleção de currículos na associação de moradores. Formado em administração, ex-funcionário de uma agência bancária e há oito meses desempregado, ele afirmou que teve o melhor fim de ano possível.

“É emocionante, porque a gente consegue uma cultura melhor para o morador e dá essa oportunidade para as crianças adquirirem essa cultura”, disse.

Acessibilidade

Com capacidade para 91 espectadores, entre eles cinco lugares para portadores de necessidades especiais, a sala de projeção terá quatro sessões diárias com tecnologia 3D, equivalente ao sistema de grandes redes exibidoras, com ingressos a preços populares. A inteira custa R$ 8, mas todos os moradores do complexo de favelas terão direito à meia-entrada (R$ 4).

“O cinema no Brasil virou um programa de luxo, uma espécie de cultura de butique, só tinha em shoppings, e essas casas populares são uma volta do cinema ao seio do povo”, defendeu o cineasta Cacá Diegues, diretor do filme Cinco Vezes Favela.

Revitalização

A auxiliar de serviços gerais Erenita Mendes Evangelista, 55 anos, afirmou que pensou em abandonar a residência por causa da criminalidade. Avó de dois meninos, de 8 e de 5 anos, ela disse que os netos nunca foram ao cinema, já que “ninguém [da família] nunca teve tempo para levar. E agora fica mais fácil com um [cinema] aqui na comunidade”. “Ano passado não teve alegria aqui não. Eu não tinha nem prazer de passar o Natal aqui. Este ano vai ser bem melhor, porque ano passado era bala para lá, bala para cá”, contou Erenita.

Aposentado e vizinho da sala de exibição, Moacir Moraes, 79 anos, afirmou que está pronto para conviver com a cultura na porta de casa, em vez da violência do tráfico de drogas. “Eu moro aqui desde quando não tinha nem água, não tinha luz, aí foi melhorando, melhorando, que chegou aonde chegou. Porque aqui é lugar bom. Tem até cinema, que nunca teve. Está melhorando”.

Em frente ao cinema também foi instalada uma quadra poliesportiva, que integra o projeto de revitalização da área. O prefeito, Eduardo Paes, reafirmou que a ocupação da localidade pelas forças do Estado é apenas o começo do resgate da cidadania dos moradores do Complexo do Alemão. “E vamos buscar cada vez mais qualificar esse lugar, trazer serviços, lazer. A gente está muito feliz de poder trazer paz para essa comunidade no Natal, novos equipamentos públicos e novos serviços”, afirmou.

Terra Santa se prepara para celebrar o Natal

Lugar de nascimento de Cristo recebe multidão de peregrinos e turistas há várias semanas

A Terra Santa, berço do cristianismo, preparava-se nesta sexta-feira para celebrar o Natal no coração de uma região em luto pelo massacre e fuga de cristãos do Iraque e condicionada, mais uma vez, à paralisia do conflito israelense-palestino.

Cruz é vista em frente da Igreja da Natividade, onde cristãos creem que Cristo nasceu, durante procissão de Natal em Belém, Cisjordânia

Na cidade palestina de Belém, o patriarca latino de Jerusalém, monsenhor Fuad Twal, presidirá a partir das 21 horas locais (19 horas de Brasília) a tradicional missa do Galo na igreja de Santa Catarina, ao lado da basílica da Natividade, na presença do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.

O lugar de nascimento de Cristo recebe uma multidão de peregrinos e turistas há várias semanas. Belém deve receber quase 1,5 milhão de visitantes em 2010 e a Terra Santa mais de 3 milhões (um número recorde), segundo estatísticas palestinas.

Fuad Twal celebrou nesta semana, em sua mensagem de Natal, o resultado, que segundo ele "reflete a dimensão universal de Jerusalém, de Belém e de Nazaré". Mas também recordou "os sofrimentos e as inquietações que permanecem", a primeira delas o destino dos cristãos no Iraque, que fogem do país desde o último massacre em Bagdá.

Em 31 de outubro, um ataque reivindicado pela Al-Qaeda contra uma igreja siríaca católica de Bagdá deixou 46 mortos, incluindo dois padres, provocando o posterior êxodo de milhares de cristãos do Iraque, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

Atualmente vivem no Iraque meio milhão de cristãos, enquanto havia entre 800 mil e 1,2 milhão em 2003. O Papa Bento 16, que também manifestou temor a respeito da situação dos cristãos no Oriente Médio, presidirá a celebração de meia-noite no Vaticano.

Em uma mensagem de rádio divulgada nesta sexta-feira pela BBC britânica, Bento 16 afirmou que "Deus "sempre é fiel a suas promessas", mas que pode "surpreender" pela forma de cumpri-las.

O Sumo Pontífice citou como exemplo o fato de que "os filhos de Israel esperavam o messias que Deus havia prometido e o imaginavam como um grande dirigente que os libertaria da dominação estrangeira", na época em que a Terra Santa formava parte da Império Romano. "Mas Deus lhes surpreendeu porque foi um menino, Jesus, que veio para salvá-los", completou.

O papa, que fez sua primeira visita à Grã-Bretanha há três meses, a primeira de um chefe da Igreja Católica a esse país desde o cisma anglicano, no século 16, concluiu a mensagem desejando um "feliz Natal" aos ouvintes.

A respeito da Terra Santa, monsenhor Fuad Twal manifestou o "sofrimento" com o bloqueio nas negociações de paz israelo-palestinas, mas insistiu que o "fracasso não deve nos deixar na desesperança".

As negociações entre Israel e os palestinos estão paralisadas desde o fracasso dos Estados Unidos para conseguir um novo congelamento na colonização judaica. "Continuamos acreditando que existem homens de boa vontade nas duas partes do conflito e na comunidade internacional, que disponibilizarão suas energias em comum", completou o prelado católico.

Peregrinos cristãos veem pintura da Virgem Maria e do bebê Jesus dentro da Igreja da Natividade, onde cristãos creem que Cristo nasceu, em Belém, Cisjordânia

Na área da segurança, o Exército israelense recebeu a ordem de facilitar, durante as festas de Natal, a passagem dos peregrinos cristãos pelos postos de controle, incluindo os palestinos dos territórios ocupados e os árabes israelenses.

A cidade de Belém, onde nasceu Jesus segundo a tradição cristã, fica além da barreira de segurança construída por Israel na Cisjordânia ocupada. As autoridades israelenses decidiram conceder permissões especiais aos cristãos palestinos dos territórios ocupados (7 mil) e de Gaza (500), para que possam visitar Belém e suas famílias instaladas em áreas normalmente proibidas.

Pela primeira vez, Israel autorizou 200 cristãos procedentes de países árabes com os quais não mantém relações diplomáticas (exceto Egito e Jordânia) a entrar no território israelense através da fronteira jordaniana.